



Na primeira cena de INK, o editor Larry Lamb descreve as cinco perguntas essenciais para escrever uma boa história — o que, quem, quando, onde e por quê — para o empresário Rupert Murdoch em um jantar.
Essas são exatamente as perguntas que o roteirista James Graham fez para criar o drama dirigido pelo vencedor do Oscar® Danny Boyle. O filme foi adaptado de uma peça de teatro vencedora dos prêmios Laurence Olivier e Tony, criada pelo próprio James.
“Filmamos no restaurante Rules, onde esse encontro aconteceu de fato. Rupert Murdoch realmente se sentou naquele lugar e decidiu mudar para sempre o rumo do jornalismo enquanto comia uma lagosta”, conta James.
INK analisa as origens do jornal britânico The Sun e dos pioneiros que quebraram barreiras para criá-lo. Era o outono de 1969 na Fleet Street, o histórico centro de jornalismo de Londres, quando o editor Larry Lamb (Jack O’Connell), nascido em Yorkshire, foi abordado por Murdoch (o indicado ao Oscar® Guy Pearce).
Murdoch revela seus planos de comprar a recém-criada publicação The Sun de seus atuais editores, o Daily Mirror, e diz que quer que Lamb seja o responsável por ela. As ambições de Lamb (cuja carreira no The Mirror já estagnou) são maiores que suas hesitações (as visões de Murdoch sobre jornalismo não são ortodoxas), então ele aceita o desafio.
Com um grupo de jornalistas renegados ao seu lado, incluindo sua amiga Jules Davies (a vencedora do Globo de Ouro Claire Foy), Lamb começa a criar o jornal que desafia as regras da imprensa britânica.

Para James, a história começa com o cenário: “Fiz muitas peças, séries e filmes ambientados no universo das nossas instituições, e tinha alguma coisa na Fleet Street que me encantava completamente. Não tem quase nenhum outro lugar do mundo em que os jornais estejam todos concentrados na mesma comunidade”.
Nesse contexto, Lamb e Murdoch têm um debate feroz sobre o equilíbrio de dar aos leitores notícias que eles precisam saber e histórias que apelam aos seus instintos mais primitivos. James conta que sempre gostou da ideia do confronto entre duas ideologias: “A rivalidade entre o The Sun e o The Mirror foi muito intensa. Teve sabotagem, traição e táticas dissimuladas. O jornal The Mirror representa o velho mundo, onde as notícias têm a missão de educar e esclarecer para melhorar a sociedade. Já o The Sun era um veículo mais populista e radical, com um estilo e tom mais questionável, mas que capturou algo incrível no povo britânico”.

No centro da comoção está Lamb, que, para James Graham, é um presente como protagonista: “É algo de Shakespeare, ou acho que diriam que é de Fausto. Ele é um homem muito talentoso, da classe trabalhadora, que realmente queria estar na Fleet Street e que foi repetidamente negligenciado pelos principais jornais”.
Uma das figuras dispostas a dar uma chance a Lamb foi Hugh Cudlipp, presidente do Mirror, interpretado por Bertie Carvel no filme. Bertie, aliás, foi o primeiro ator a interpretar Murdoch quando a peça estava em cartaz em West End. James conta: “Lamb sempre acreditou que deveria editar o próprio jornal, mas nunca pôde fazer isso. Murdoch percebeu essa rejeição e disse que daria a ele tudo que sempre quis”.
Esse relacionamento é o que impulsiona a história de INK e, para James, contar a história de um relacionamento nessa escala, que tem confiança completa, concordância total e um senso de traição, é uma tarefa incrível para um escritor.
Ele abordou a jornada do palco para as telas com humildade e entusiasmo. Por sorte, o tempo entre os dois tipos de produção trouxe vantagens: “A peça já aconteceu há oito anos, então eu fiz minha pesquisa na época. Mas o melhor é que as pessoas assistem e depois conversam com você no bar, trocam telefone. Por isso, quando começamos o filme, Danny, eu, a equipe, diretores de arte e pesquisadores, tivemos algumas semanas incríveis encontrando todas essas pessoas da era de ouro da Fleet Street”.

A colaboração com Danny Boyle foi outro elemento crucial. James revela que queria um dos maiores diretores britânicos de todos os tempos para ajudá-lo nos últimos detalhes do que ele acreditava que seria um filme extraordinário, e Danny foi a escolha ideal para o projeto.
“Danny é perfeito para isso porque tem integridade. Ele poderia estar por aí contando todo tipo de história de Hollywood, mas ele tem essa veia política e social, esse desejo real de entender o mundo e as pessoas”, detalha.
Alguns dos trabalhos de Danny que quebraram barreiras foram Trainspotting: Sem Limites, a franquia Extermínio, Quem Quer Ser um Milionário? e Steve Jobs.
“INK é sobre um momento do nosso passado que pode parecer insignificante, mas que em seu cerne é algo muito significativo sobre nosso caráter nacional — o que mudou no jornalismo, no modo como recebemos informações, as ansiedades que todos temos como sociedade. O que é verdade? Danny reconhece isso”.







































