





Tarik Azzougarh arriscou tudo para provar seu valor aos heróis que admirava. Após subir no palco com o Wu-Tang Clan durante um show em Amsterdã, em 1997, o rapper holandês-marroquino conhecido como MC Cilvaringz conseguiu se tornar próximo do grupo. Então, decidiu gravar um disco com eles, que desafiaria a era digital que reduz música a conteúdos descartáveis.
O resultado foi o mítico Once Upon a Time in Shaolin, “sétimo álbum” do grupo e que possui apenas uma cópia. Gravadas ao longo de seis anos, as 31 faixas foram prensadas uma única vez, lacradas em uma caixa de prata feita à mão e leiloadas em 2015 pelo valor estimado de 2 milhões de dólares. Esse foi um valor recorde e tinha uma ressalva que proibia qualquer lançamento comercial até 2103.
A diretora Joanna Natasegara (produtora do documentário vencedor do Oscar® Os Capacetes Brancos) conta a história da origem improvável e a recepção controversa do álbum em seu novo documentário Discípulo: A História de Cilvaringz, lançado no Festival de Cinema de Sundance de 2026 e já disponível na Netflix.
Em vez de focar nas rixas que surgiram com o álbum, o filme mostra a espiritualidade e a ética da arte do Wu-Tang Clan. Ele aborda os conflitos internos centrais da aposta de Tarik, que poderia alavancar ou arruinar sua carreira (e ele ainda não sabe dizer qual aconteceu). Por trás da história está a pergunta filosófica que levou à criação do disco: qual é o valor de músicas gravadas e quem tem o direito de possuí-las na era do streaming?
Além dessas questões, Discípulo: A História de Cilvaringz também é uma reverência à música. Algo apropriado para um grupo que criou seu som ao exaltar outros, usando soul, funk e cinema para formar uma grande tapeçaria musical.
“O Clan celebra outros artistas ao utilizar trechos de diversos músicos e filmes em seus próprios trabalhos. É fácil criar uma playlist inspirada por eles”, diz Joanna. E foi o que ela fez. Confira abaixo a seleção que ela preparou com as principais faixas do Wu-Tang, o que foi sampleado em cada uma e as músicas que marcaram a curiosa jornada de Tarik no mundo desse grupo.

Rapper Method Man (nome artístico de Clifford Smith Jr.), RZA, Raekwon e Inspectah Deck do Wu-Tang Clan.
Abreviação de “Cash Rules Everything Around Me” (O dinheiro manda em tudo ao meu redor, em tradução livre). Essa faixa emblemática do álbum de estreia do Wu-Tang, de 1993, foi baseada na música soul “As Long as I’ve Got You” (1967), da banda The Charmels, logo abaixo nessa lista. “É muito difícil escolher uma favorita do primeiro álbum, que é tão icônico, mas C.R.E.A.M. é uma delas. Não se fazem mais músicas assim”, conta a diretora.
A parceria de Nas com Lauryn Hill de 1996 (com o título fazendo referência a uma faixa de 1985 de Kurtis Blow) é uma fantasia grandiosa sobre chegar ao topo. “Essa música representa o anseio do Tarik, nosso protagonista, em ser parte da incrível cena musical de Nova York, liderada pelo Clan. É uma canção linda”, explica Joanna.

Ol’ Dirty Bastard (Russell Jones) e Mariah Carey
Mariah Carey formulou esse remix de 1995 como um salto ao hip-hop, trazendo um verso com participação do membro mais inesperado do Clan, o fantástico, e já falecido, Ol’ Dirty Bastard. A ideia ajudou a abrir portas de parcerias entre grupos de pop e rap durante décadas. Segundo Joanna, é a colaboração perfeita entre dois gigantes e está presente no auge do filme.

Cher
O emocionante cover de Cher (1995) da balada ao piano de Marc Cohn (1991) é um relato de viagem ao sul com um toque gospel, sem nenhuma conexão aparente com o grupo Wu-Tang. “Eu sei que parece uma faixa aleatória, mas faz sentido no contexto. O filme, como o segundo álbum deles, tem muitos segredos e reviravoltas”, explica a diretora.














































