





Em boa parte da temporada 1 de Magnatas do Crime, o personagem de Vinnie Jones, Geoff Seacombe, é uma arma pronta para atirar. Ficou claro que havia muito mais por trás daquele homem quieto dos bastidores da Mansão Halstead. Geoff trabalha para a família aristocrática Horniman como guarda-caça, além de ser um leal confidente. Ele também é o verdadeiro pai de Charly (Jasmine Blackborow). A temporada 2 finalmente puxa o gatilho e desperta o real poder de Geoff e do ator que o interpreta. O novo capítulo da série de Guy Ritchie dá mais espaço ao personagem, aprofundando seu relacionamento com Lady Sabrina (Joely Richardson) e apresentando seu neto, Tarquin. No episódio 7, que tem potencial para ser um clássico de Magnatas do Crime, Geoff mostra como ele pode ser perigoso quando sua família é ameaçada.

“Acredito que Vinnie Jones é uma arma”, diz Matthew Read, principal roteirista e produtor executivo, ao Tudum. Ele explica que os roteiristas escolheram evitar “puxar o gatilho” cedo demais. Já ator define Geoff como um “vinho tinto muito fino”, um personagem de sabores sutis que vêm à tona com o passar do tempo.
Abaixo, Vinnie conversa com o Tudum sobre o papel ampliado de Geoff, sua parceria transformadora e de longa data com Guy Ritchie, e o impacto de interpretar o personagem multifacetado na temporada 2.
Matthew Read contou que os roteiristas pensaram em você como a “arma” que não queriam usar cedo demais. Você gostou do fato de Geoff ter ficado mais quieto na temporada 1?
Vinnie Jones: Gostei. Sei como Guy trabalha. Lembro que, em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, perguntei a ele se eu deveria ser o sujeito que faz o trabalho sujo e de quem todo mundo tem medo, mas eu não fiz nada. Foi aí que Guy disse que não, mas que, quando eu fizesse, seria uma fúria sem igual”.
Por conhecê-lo tão bem, é como abrir uma lata de refrigerante depois de agitá-la: tem que ir aos poucos. Ou quando o radiador do carro está muito quente e você não pode mexer rápido. Eu entendo Guy mais que muita gente porque trabalho muito com ele.

Já vamos falar mais sobre isso. A temporada 2 também explora mais o lado emocional de Geoff. O que continua sendo o foco do personagem para você?
Vinnie: Eu ainda acho que a marca registrada dele é ser fiel à família. Ele até chega a dizer na temporada 1 que sua lealdade é total e absoluta. A temporada 2 vai mostrar um pouco mais disso e a 3 mais ainda. Você fica se perguntando: “O que alguém seria capaz de fazer por lealdade?”.
Geoff é um vinho tinto muito fino. Ele é como uma garrafa antiga, com a qual você espera o tempo que for para sentir o aroma, provar e deixar as papilas gustativas apreciarem. Geoff é assim.
Como você foi escolhido para ser o Geoff?
Vinnie: Guy me ligou um dia quando eu estava fora e disse que tinha algo para mim. Era o papel de Geoff. A vida desse personagem é muito importante para mim, interpretá-lo me transformou um pouco. Eu já tive uma carreira doida no futebol e outra mais ainda na atuação. Agora eu me tornei um certo vinho também, para falar a verdade.

Alguém que você conhece serviu como inspiração para o papel?
Vinnie: Quando você atua e procura alguém em quem se inspirar, acaba pegando um pouco aqui e ali das pessoas ao seu redor. Boa parte da atuação vem do estudo ou da experiência, de conhecer pessoas.
Muitos anos atrás, quando eu ainda era jovem, conhecia um cara chamado Velho Rolfie. Eu pensava que ele era um deus. Ele conseguia acertar um coelho correndo usando uma catapulta e tinha um cachorro grande e velho. Pensávamos que ele vivia na floresta com gnomos, duendes e tudo mais. Mas não, ele morava em uma pequena casa com sua esposa. Eles não socializavam e só saíam para ir ao bosque.
Se você quisesse uma catapulta, ele faria uma para você. Eu me inspirei um pouco nele para Geoff, com esse lado misterioso. Ninguém sabia de onde ele tinha vindo e nem para onde foi. Rolfie morava com animais dentro de casa, como corvos, furões e cachorros. Ele tinha até uma coruja.
Então, foi algo bem importante e pessoal. Como ator, você estuda, caso não saiba nada sobre o personagem, ou tenta se basear nas suas experiências de vida.
O que a relação de Geoff com a Sabrina revela sobre ele?
Vinnie: Ele sabe qual é o lugar dele. Como digo, esse é o nível de lealdade e o jeito de Geoff. Os dois se apaixonaram e o amor dele por ela é incondicional e consequentemente pelos garotos e pela família dela também. É isso que admiro em Geoff. Ele é elegante e sempre discreto, a não ser quando solicitado. Ele é um confidente, e acho que gosta disso.
Quando a família convida Geoff para ser padrinho, é o auge para ele. Está resolvido, ele foi aceito.
Geoff é um cavaleiro com uma armadura brilhante. Ele é um herói para a família e isso fica cada vez mais evidente.

O episódio 7 junta a ternura e a violência de Geoff. Quais intenções você pensou em mostrar nessas cenas?
Vinnie: “Ternura” é uma ótima palavra para Geoff. Ele demonstra muito bem esse lado. Nós sabemos o que ele pode fazer. Geoff é um assassino nato. Mas essa ternura aparece quando ele arrisca a própria vida pelo bebê Tarquin, no episódio 7. Ele poderia ser atingido de mil formas, mas ganharia a guerra por esse bebê – está no sangue dele.
Sabe o que eu pensei quando gravamos? No Rambo. O primeiro filme do Rambo. Você torce pelo azarão. Não tem firula, lutas de kung fu, nada disso. É cru, amor puro. É tudo pelo bebê e pela família.
Tínhamos rapazes do exército lá acompanhando cada etapa, e foi muito importante. Tudo o que Geoff faz é perfeito, sempre impecável. Ele é bom no que faz. Você termina o episódio se perguntando de onde Geoff veio e qual é a história dele. Quando um personagem é apresentado assim, fica muito interessante.
Geoff também consegue ser muito engraçado sem fazer piadas. Como você trabalha com o humor na série sem abrir mão desse lado estoico?
Vinnie: Isso mostra a inteligência de Geoff. Na maioria das vezes, um olhar ou algo do tipo já basta. Não precisa chorar de rir.
Em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, conforme você ia assistindo de novo, encontrava novos detalhes e se dava conta de que nunca tinha reparado naquilo porque não é clichê. Não são frases de efeito com uma piada no final. São coisas que simplesmente são inseridas e surpreendem. Geoff não é um bobo da corte.

Você e Guy Ritchie trabalham juntos desde o início da sua carreira. O que ele desperta em você que outros cineastas não conseguiram?
Vinnie: Primeiro, eu confio inteiramente em Guy porque ele me encontrou. Ele que me colocou nas telas pela primeira vez.
Tenho por volta de 30 anos de carreira, e em quase todo filme que faço, quem dirige quer ser como Guy Ritchie. É ótimo ser tão próximo dele. E não precisamos estar juntos toda hora, é uma relação que está no ar, no universo. Você não precisa viajar, pescar ou fazer algo todos os dias. Uma amizade como a nossa não acontece sempre.
Querendo ou não, temos um vínculo com Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Todos nós que fizemos esse filme temos uma ligação. Cada um seguiu o próprio caminho, mas fico feliz em estar no grupo de Guy Ritchie e não me preocupo muito caso eu não trabalhe para outra pessoa.
Na verdade, acho que muitos diretores e roteiristas não me entendem. As pessoas pensam que só tenho um lado e que meu papel é sempre atirar e matar, mas acredito que estou provando a todos, inclusive a Guy, que posso fazer bem mais.
Estive por aí mundo afora, fiz coisas muito boas e algumas porcarias também. Meu foco agora é ter 10 ou 20 anos de atuação de qualidade. É isso que eu quero para mim agora. Essa é a essência de Geoff. Digamos que é a nova carreira de Vinnie Jones, que ele nasceu de novo.
Assista a Vinnie Jones em ação na temporada 2 de Magnatas do Crime, já disponível só na Netflix.

















































