


“Tentamos criar novas sensações e ambientes para quem estivesse assistindo”
Todos os episódios das temporadas 1 e 2 de Arcane já estão disponíveis na Netflix. Mas, para fazer essa história brilhar tanto na tela, só mesmo uma equipe de muitos talentos.
A série de animação, vencedora do Emmy®, é fruto do trabalho dos criadores Christian Linke e Alex Yee e do estúdio de animação francês Fortiche Production, em parceria com a Riot Games. Arcane, afinal, é baseada no game multijogador League of Legends, desenvolvido pela própria Riot Games.
A colaboração da Fortiche Production e da Riot Games com Christian Linke começou em 2012, quando trabalharam no vídeo “Get Jinxed” para o League of Legends.
“É uma relação profissional e de amizade que já dura mais de 10 anos,” Barthelemy Maunoury, co-diretor da Fortiche Production, conta ao Tudum. “Conversamos com Christian e Alex todos os dias, e a confiança que eles depositaram na Fortiche possibilitou esse trabalho em equipe”. [communication]
A equipe que trabalhou na temporada 1 estava focada em construir uma narrativa visual que desse conta de retratar Piltover e Zaun como duas cidades bem diferentes uma da outra. Mas, para os artistas envolvidos na temporada 2, a ideia era explorar em mais detalhes as nuances das duas cidades conforme a história começava a se aprofundar.
Julien Georgel, diretor de arte da Fortiche Production, explica ao Tudum: “Tentamos criar novas sensações e ambientes para quem estivesse assistindo. É claro que, após o ataque de Jinx ao Conselho de Piltover, a série acaba tendo muitos momentos sombrios e tristes. Mas, mesmo assim, também há algumas surpresas. Nem tudo gira em torno das batalhas”. [Jinx’s attack on the Piltover council]
O primeiro esboço da temporada 2 foi feito logo após a estreia de Arcane na Netflix, em novembro de 2021, mas foram necessários três anos de muito trabalho criativo para chegar à versão definitiva. Isso se deve em parte ao fato de que um único desenho pode ter até 20 versões e demorar entre três semanas e três meses para ser concluído.
Arnaud-Loris Baudry, diretor de arte, conta ao Tudum que “às vezes já estamos totalmente apaixonados pelo primeiro esboço, mas trabalhamos nesse mesmo material por meses para que o design final fique com a mesma essência”.
Durante o período mais intenso de trabalho para a nova temporada, o time de criação da Fortiche Production chegou a contar com 450 profissionais baseados nos EUA e na França. A experiência do grupo era diversa e incluía áreas como animação, construção digital de cenários, objetos de cena, efeitos especiais, texturização e outros.
Continue a leitura para descobrir como os experts da Fortiche levaram para a tela os elementos visuais da temporada 2.
Arnaud-Loris Baudry conta que “no caso do Smeech, a ideia era criar um yordle com um visual que lembrasse Zaun. Foi uma oportunidade para mostrar um personagem excêntrico, que se submeteu a várias modificações tecnológicas para conseguir mudar de tamanho. Achamos que seria divertido criar um visual inspirado em Alice no País das Maravilhas, e é por isso que ele tem a cartola, o penteado e charuto de Cintila”.
Baudry também destaca que, por mais que a equipe de design possa dar sugestões, cabe aos diretores e animadores “usar esse feedback para fazer as cenas ganharem vida”.

No episódio 3 da temporada 2, Jinx (Ella Purnell) monta uma armadilha para Vi (Hailee Steinfeld) nas ruínas de um templo dedicado a Janna, situado no Subferia. Vi, acreditando que a Powder de antes está morta e que Jinx está manchando as memórias do passado, decide resolver o problema que ela mesma criou. É assim que começa um embate entre as irmãs ali dentro do templo, cercado por colunas tombadas e grafitadas com tinta fluorescente.
Julien Georgel elabora: “A ideia era criar um ambiente neutro e pacífico, pois é um antigo templo dedicado a Janna. Na nossa visão, era uma tela [on which] em branco para destacar os desenhos da Jinx, [that shows] que mostram os momentos mais importantes da vida dela”.
Baudry, por sua vez, indica que “os desenhos coloridos e fluorescentes criam um contraste com a paz do ambiente. Eles contam a história dessas duas irmãs que acabaram tomando rumos diferentes por conta de eventos trágicos”.
Viktor (Harry Lloyd) não só sobrevive ao ataque de Jinx como acaba ganhando um novo visual, que é revelado no episódio 2 da temporada 2. Devido à situação fragilizada de seu corpo logo após a explosão, o Núcleo Hex consegue transformá-lo na figura messiânica dos episódios seguintes.
Georgel explica: “O corpo de Viktor foi curado e transformado pelo Núcleo Hex, e agora ele está pronto para construir sua rede de seguidores. Nossa ideia era fazer o Viktor parecer um messias humano, com uma aura bem positiva e pacífica, por mais que o corpo dele agora pareça uma máquina orgânica criada pelo Núcleo Hex”.
O design tem como referência uma das skins do personagem em League of Legends, com alguns ajustes feitos para a série.
“No jogo, Viktor é um personagem que tem uma história interessante, mas um design já meio ultrapassado”, comenta Baudry. “Aproveitamos a oportunidade para revisitar o conceito por trás da magnífica evolução dele, e fizemos isso de um jeito que dialogasse com a transformação causada pelo Núcleo Hex. O que aparece na série é a nossa visão de um design biomecânico. A base desse design é a fusão entre anatomia humana e partes mais rígidas, como por exemplo as faixas mecânicas que sustentam o corpo dele”.

Há um motivo para Jayce (Kevin Alejandro), Ekko (Reed Shannon) e Heimerdinger (Mick Wingert) ficarem tão horrorizados no episódio 3 da temporada 2: afinal, eles descobrem não só a anomalia de Viktor, como também o fato de que a realidade deles é distorcida. Georgel explica que isso tudo acontece porque a anomalia é uma “expressão bruta e instável do Arcano, com cores bem semelhantes ao Núcleo Hex”.
Ele acrescenta ainda que o design da anomalia tem cores iridescentes e em constante mudança, que estão “conectadas ao padrão pelo qual Viktor é obcecado. Essa anomalia esférica parece ser a fonte de energia que vem lentamente corrompendo o universo. E, como a Hextec pode estar puxando energia dali, ou no mínimo estar muito conectada a ela, as armas feitas com Hextec acabam sofrendo a mesma instabilidade”. [that]
A Vi que aparece no episódio 5 está presa em um ciclo autodestrutivo de muitas brigas, bebedeira e noites em claro na Subferia. Ela também está com o cabelo preto e uma maquiagem bem pesada, elementos que servem para refletir seu estado emocional.
Baudry explica que, após os embates com Jinx e a amiga, Caitlyn (Katie Leung), Vi “perde tudo que era importante para ela e já não pertence mais a lugar algum, seja Piltover ou Zaun. Por isso mesmo, achamos que ela tentaria esconder seus traços mais marcantes, como a cor do cabelo e a tatuagem, e se entregaria de corpo e alma àquilo que ela faz de melhor: brigar”.
Georgel complementa: “A vida dela está sem muita cor. Tem apenas o amarelo desagradável nas ruas e no quarto improvisado dela”, a mesma cor das bebidas que ela não para de entornar. Ele também chama atenção para “aquela luz branca bem agressiva e fria que aparece no ringue. Nós queríamos que as luzes no bar tivessem um ar de sujeira, depressão e violência”.


É graças ao trabalho de Singed (Brett Tucker) que Vander (JB Blanc) se transforma em Warwick, uma fera selvagem e sanguinária. Baudry conta que Christian Linke, o showrunner, decidiu logo no início da série que essa transformação aconteceria.
Ele comenta: “Desenvolvemos o personagem de Vander durante a temporada 1 já pensando que ele seria uma pessoa bastante resiliente e com alta resistência à dor. Foi por causa dessas características que Singed conseguiu aperfeiçoá-lo e criar a quimera que é Warwick”.
Ainda que o Warwick de League of Legends tenha um visual que se assemelha mais aos lobisomens, Baudry destaca que, na série, “o design dele levou em conta elementos de animais selvagens para evocar a imagem do lobo”. A equipe de criação também manteve as “características e traços faciais parecidos com os de Vander” em prol da narrativa principal.
Uma das inspirações para o design da comunidade foi “A Epopeia Eslava” de Alfons Mucha: uma série de pinturas que contam a história do povo eslavo.
Georgel explica que A Epopeia Eslava chamou atenção da equipe por conta de sua “atmosfera otimista, viva e solar, para não falar dos esquemas de cores. Nosso objetivo era passar a impressão de uma planície a céu aberto, bem longe da cidade sufocante, por mais que a comunidade fique situada nas profundezas de Zaun”. [a]
Outro aspecto importante do design, conforme observa Georgel, é que os habitantes do local “estão muito conectados à mente de Viktor, principalmente aqueles que foram curados por ele. A estrutura básica de tudo que eles construíram tem raízes na obsessão de Viktor pela anomalia e pelo padrão do Núcleo Hex”.
É por isso que aquele padrão único, que é ao mesmo tempo espiral, fractal e iridescente, está presente por toda a parte: “dos detalhes mais pequenos até a própria arquitetura do local”.


No episódio 8, Mel (Toks Olagundoye) tem um encontro com a sacerdotisa da Rosa Negra (Minnie Driver) e sai de lá com um visual novo em folha, criado para combinar com seus poderes recém-descobertos.
“Nós queríamos um look simples e minimalista, mas ainda assim elegante e impressionante”, comenta Baudry.
Mel não está muito feliz com essa coisa de ter se tornado feiticeira e, por isso mesmo, usa uma capa branca para se esconder. Baudry comenta: “Conforme ela vai se afastando de Piltover, era para parecer que ela tinha partido em uma jornada e estava usando essas novas roupas como um disfarce”.
Quando chega a hora dela usar os poderes no episódio 9, Georgel explica que as formas do feitiço “se originam nas tatuagens douradas em seu corpo”.
Um jovem Ekko entra em ação no episódio 9, equipado com um “protótipo de seu icônico Revo-Z” e uma “arma improvisada feita com o ponteiro de um relógio”, conta Baudry.
Ele ainda não é o grande campeão de League of Legends, mas seu visual no último episódio da temporada 2 de Arcane já indica quem é que ele vai se tornar no futuro.
“Ekko é queridinho dos fãs, mas sabíamos que ele ainda não teria desenvolvido todas as suas habilidades quando chegássemos no episódio final da temporada”, explica Baudry. “Queríamos mostrar o potencial desse menino salvador, do gênio que pode desafiar o tempo”.
Ao longo de todos os episódios de Arcane, Ekko está sempre trajando verde e laranja, que são suas cores típicas, e traz o símbolo de ampulheta pintado no rosto. No entanto, Baudry indica que, no episódio 9, a ideia foi “fazer uma conexão visual entre o [Ekko] e a Jinx”, de modo que os visuais marcantes dos dois personagens dialogassem entre si.
Ele também comenta que “a paleta de cores da roupa do Ekko se mistura com a paleta de cores da Jinx. Há elementos visuais que fazem referência à luta entre eles na temporada 1”. [call back to]


Runas, Hextec, Quimtec, Cintila: diferentes formas de magia, cada uma com sua própria paleta de cores. Foi por isso que, quando chegou a hora de apresentar a magia da Rosa Negra na temporada 2, a equipe “quis achar novos tons e novos formatos para transmitir um ar de estranheza e perigo”, conta Georgel.
A prisão mental da Rosa Negra usa um esquema de cores em vermelho e preto e tem correntes espinhosas nessas mesmas tonalidades, criando um ambiente opressivo que deixa Mel visivelmente desconfortável.
Baudry explica que “as correntes tinham que parecer mágicas”, mas também destaca que elas não existem de verdade. No episódio 8, Mel está dentro de uma prisão mental, mas não está realmente presa; ela está é “imobilizada no centro do dispositivo da Rosa Negra, que tem o formato de um pentagrama, e a mente dela acaba sendo projetada para uma prisão mental que é totalmente ilusória”.
O design em si não mudou muito após a criação do conceito inicial: “Trabalhamos nos episódios 3 e 5 simultaneamente, junto com os responsáveis pelo design de Amara e Elora. A equipe de efeitos visuais e composição trabalhou para deixar o design perfeito”.
Baudry revela que foram necessários “anos de trabalho” para criar a batalha colossal que acontece na última parte da série.
“A temporada foi planejada com base nessa batalha decisiva, envolvendo todos os grupos que acompanhamos ao longo dos episódios: os habitantes de Zaun, de Piltover, as Jinxers, os seguidores de Viktor, os noxianos”, explica Baudry.
Como parte da “Gloriosa Evolução”, Viktor expande sua conexão mental cósmica para além de seus seguidores, alcançando todos que estavam envolvidos na batalha nos Hexportais: Jayce, Vi, Mel, Sevika (Amirah Vann), Warwick e Jinx. Segundo Baudry, “é um momento épico, mas ainda assim queríamos que tivesse um ar de humanidade e fosse algo mais íntimo”.
Baudry conta que o visual final de Viktor é bastante complexo e levou “mais de quatro anos para ser desenvolvido. Ele é muito singular e vai mudando ao longo da temporada. E, conforme o Viktor vai evoluindo, ele se transforma e acaba perdendo sua humanidade”. [his]
As temporadas 1 e 2 de Arcane já estão disponíveis na Netflix.










































































