





Já pensou em pausar Habeas Corpus para descobrir o que significam “via eleita”, “in dubio pro reo”, “revisão criminal" ou muitas outras expressões do juridiquês? Se a resposta é sim, este texto foi feito para você.
Criada por Luiz Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira, a produção acompanha Inez Franco (Marjorie Estiano), professora de direito e ex-advogada criminalista que reúne estudantes para reexaminar a condenação de Jonathan (Hypólito) e tentar demonstrar a inocência do rapaz. Entre os alunos está a brilhante Marina (Any Gabrielly), que guarda um segredo envolvendo a docente.
Para ajudar você a acompanhar o trabalho dessa turma, reunimos 15 termos que ajudam a entender o que está acontecendo em cena. A começar pelo próprio título da série.

A expressão que dá nome à série vem do latim e significa “que tenhas o corpo”. Na prática, o habeas corpus protege a liberdade de ir e vir de quem sofre ou corre o risco de sofrer uma restrição ilegal ou abusiva. Pode ser usado tanto para combater uma prisão nessas condições quanto para evitar que ela aconteça. Conseguir um habeas corpus, porém, não significa, por si só, uma absolvição: a discussão sobre a responsabilidade pelo crime pode continuar.
Uma condenação definitiva também pode ser contestada — é o que a professora Inez ensina logo na primeira aula que acompanhamos na série. A revisão criminal é uma ação própria em favor de uma pessoa já condenada, e não um recurso comum no processo original. Só cabe em situações previstas em lei, como a descoberta de novas provas de inocência ou a constatação de que a condenação se apoiou em depoimentos, exames ou documentos falsos. Se o pedido for acolhido, pode haver absolvição, mudança da pena ou anulação do processo, entre outros resultados. A pena, no entanto, não pode ser aumentada. É esse caminho que Inez e cinco alunos seguem para tentar reverter a condenação de Jonathan.

Quando depoimentos divergem sobre um ponto importante, as pessoas que deram essas versões podem ser chamadas a esclarecer as contradições. Na acareação, as declarações são confrontadas, e novas perguntas ajudam a entender o que não bate. O procedimento pode envolver pessoas acusadas, testemunhas e vítimas.
É a alegação de que alguém estava em outro lugar no momento do crime, usada para contestar a participação atribuída à pessoa. Depoimentos, imagens e outros registros podem sustentar essa versão, que deve ser avaliada junto às demais provas. Audiência de justificação No contexto da revisão criminal, essa audiência serve para colher depoimentos que possam fundamentar o pedido. A defesa e o Ministério Público — leia mais abaixo sobre essa instituição — participam e podem fazer perguntas para esclarecer o relato. As declarações ficam registradas judicialmente e serão avaliadas junto às demais provas quando o tribunal examinar a condenação.

Instituição pública que oferece orientação e assistência jurídica gratuita a quem não tem condições de pagar por esse serviço. O trabalho inclui defender pessoas em processos, buscar acordos e proteger direitos em diversas áreas. Já as defensoras e os defensores públicos são profissionais que ingressam no órgão por concurso e exercem essas funções.
O Estado tem o dever de respeitar regras e garantias para interferir na liberdade ou nos bens de alguém. Em um processo criminal, isso inclui permitir que a pessoa conheça a acusação, apresente sua defesa e conteste as provas. O julgamento também deve ficar a cargo de um juiz ou tribunal com atribuição legal para analisar aquele caso.
A expressão em latim significa “na dúvida, a favor do réu”. Se, depois da análise das provas, persistir uma dúvida razoável sobre a responsabilidade criminal da pessoa, a decisão deve ser pela absolvição. Isso porque cabe à acusação demonstrar a culpa, sem transferir à defesa a obrigação de provar a inocência. Essa regra decorre da presunção de inocência, que explicamos mais abaixo.

Muito citado na série, principalmente pela sigla MP, é uma instituição autônoma que atua na defesa das leis, da democracia e dos direitos da sociedade. Não integra o Poder Judiciário: promotores e procuradores não são juízes, e a atuação desses profissionais vai além da área criminal. Nos processos criminais que cabe ao Estado iniciar, chamados de ações penais públicas, o Ministério Público apresenta a acusação. O órgão, como deve zelar pela aplicação da lei, também pode pedir a absolvição quando entende que não há base para condenar.
Ninguém pode ser considerado culpado antes de uma condenação definitiva, contra a qual já não caiba recurso. Essa proteção acompanha a pessoa durante a investigação e o processo, e cabe à acusação demonstrar a responsabilidade criminal. O in dubio pro reo decorre dessa garantia e orienta a absolvição quando, após a análise das provas, persistir uma dúvida razoável sobre a culpa.
Uma pessoa passa a ser ré em um processo criminal quando a Justiça aceita formalmente a denúncia ou a queixa-crime, documentos que apresentam a acusação. O termo indica sua posição no processo. Estar sob suspeita ou investigação não torna alguém automaticamente réu, e ser réu não significa ter sido condenado.

Na primeira instância, o processo costuma ser analisado e julgado inicialmente por um juiz. Quando uma das partes apresenta um recurso para contestar a decisão, os pontos questionados podem ser reexaminados na segunda instância. Em geral, essa análise cabe a desembargadores, que podem manter, modificar ou anular o que foi decidido. O recurso é examinado com base no processo já existente, sem a repetição automática das audiências.
Na série, a expressão se refere à fala de encerramento da defesa — escrita por Marina e apresentada por Inez no julgamento. Nesse momento, são retomadas as provas e apresentados os argumentos para que o pedido seja acolhido. Conforme o procedimento, a legislação usa os termos alegações finais ou debates para essa etapa.
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Uma decisão transita em julgado quando se torna definitiva porque já não cabe recurso contra ela naquele processo. Isso pode acontecer depois que as possibilidades de recorrer se esgotam ou quando o prazo termina sem que haja recurso. Ainda assim, uma condenação pode ser questionada por medidas excepcionais, como a revisão criminal, nas situações previstas em lei.
A expressão indica o caminho processual escolhido para apresentar um pedido à Justiça: uma ação ou um recurso, por exemplo. Quando se discute a “adequação da via eleita”, a questão é saber se o instrumento escolhido serve para aquele pedido. Na série, Inez começa pelo habeas corpus e, depois, busca a revisão criminal da condenação de Jonathan — a trama mostra o que leva a advogada a mudar de caminho.
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Fontes consultadas para a produção deste texto: glossário jurídico do Supremo Tribunal Federal (STF); vocabulário jurídico do Tribunal de Justiça do Estado São Paulo (TJSP); Constituição Federal; informativos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre revisão criminal, audiência de justificação e adequação da via eleita; seção de dúvidas frequentes da Defensoria Pública do Estado de São Paulo; site do Ministério Público Federal; acórdão sobre álibi do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG); glossário de termos e expressões jurídicas do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL); e glossário de termos jurídicos do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região.


































